Quintas de crocodilos em Moçambique

Leia sobre o crocodilo do Nilo, sua ocorrência em Moçambique, conflito com o Homem e papel das “croc farms”.

O Crocodilo do Nilo (Crocodylus niloticus) é equiparado com os aligátores e caimões, mas distinguindo-se destes por apresentar um maior afunilamento do focinho e pelo quarto dente da mandíbula superior, que fica visível quando o animal fecha a boca. Possui ainda uma outra característica distintiva que consiste numa bolsa extensível entre os ramos da mandíbula, que lhe permite deter os peixes escorregadios antes de os engolir. Possui placas córneas na cabeça, pescoço e no tronco. Tem uma cauda comprida e musculada que o impulsiona quando nada.  A sua pele, ao contrário dos outros répteis, cresce com eles e não é mudada. Varia de um verde castanho ou acastanhada a um tom escuro no lado dorsal e é muito mais clara, e mais macia, no ventre. O crocodilo do Nilo pode viver até aos 45 anos no estado selvagem; até aos 100 anos em cativeiro e o seu maior inimigo são os humanos.

Geralmente esta espécie não forma grupos, excepto na época de acasalamento. Nadam com a ajuda da sua poderosa cauda, movendo-se na água a uma velocidade superior à duma piroga. Em terra, e apesar de terem patas curtas, podem também mover-se surpreendentemente depressa. Imóveis, parecem troncos flutuantes, o que engana muitas das vítimas destes répteis até ser demasiado tarde. Quando se expõem ao sol, os crocodilos aumentam a sua temperatura interna, abrindo a boca, o que também permite que determinadas aves aí procurem alimento.

Em Moçambique as maiores densidades de crocodilos encontram-se nas províncias banhadas pelo Vale do Zambeze, nomeadamente Tete, Zambézia, Manica e Sofala. Nestas províncias (assim como nas restantes do país) os crocodilos têm co-habitado com as populações, locais chegando a causar inúmeros ferimentos e mortes às pessoas que se fazem ao rio para lavagem de roupa ou busca de  água potável.

Como forma de minimizar o ataque dos crocodilos a humanos, os governos das províncias abrangidas pelo Vale do Zambeze têm formado caçadores locais que têm abatido crocodilos problemáticos para as comunidades locais. Para além desta medida, o governo passou a licenciar empresários que queiram criar crocodilos em cativeiro com o objectivo de exportação de peles para a indústria de cortumes.

As maiores “farms” de criação de crocodilos localizam-se na provincia de Tete, chegando algumas a ter cerca de 80000 crocodilos adultos. No âmbito do licenciamento da criação de crocodilos em cativeiro, o governo emite licencas que permitem aos “farmers” recolherem ovos no Delta do Zambeze para posterior incubação e criação em cativeiro. Passados cerca de 4 anos, os crocodilos são esfolados e as suas peles exportadas para o mercado Asiático, onde as suas peles são transformadas em sapatos, bolsas, carteiras, cintos e malas luxuosas.

A Biodinâmica tem estado a fazer o levantamento distribuição e da existência do conflictos entre o crocodilo e o homem, no âmbito da Avaliação Ambiental Estratégica, Plano Multissectorial, Plano Especial de Ordenamento Territorial do Vale do Zambeze e Modelo Digital de Suporte a Decisões, projecto no participa desde Março de 2014 como responsável pela componente de Biodiversidade.

 

Carlos Litulo

Técnico de Biodiversidade