Espécie da Semana

Esta semana vamos dar-lhe a conhecer esta grande ave africana, o abutre do Cabo

Nome comum: Abutre do cabo

Espécie: Gyps coprotheres (Foster, 1798)

 

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Aves

Ordem: Accipitriformes

Família: Accipitridae

Gênero: Gyps

 

Status de conservação: Em perigo (desde 2015)

Dieta: Necrófago, alimenta-se principalmente de carcaças.

Comprimento: até 115 cm

Peso: até 11 Kg

Largura máxima das asas: até 2,6 m

Vida média na natureza: média de 16 anos, mas porderá viver até 30 anos

 

O Abutre do cabo não é apenas esteticamente impressionante, é também uma espécie particularmente inteligente. É o terceiro maior abutre do Velho Mundo e é a maior ave de rapina presente no sul de África e com a cor mais clara, visto que são normalmente cinzento-esbranquiçados, com alguns pontos em castanho. A região da cabeça e do pescoço apresenta normalmente uma coloração cinzento-azulado. A base do pescoço é normalmente coberta por uma fileira de penas longas que formam um colar cinzento. Há poucas diferenças entre sexos nesta espécie, para além da diferença ligeiramente de tamanho (as fêmeas são maiores), por isso é muito difícil diferenciar machos e fêmeas.

         

Distribuição geográfica

Gyps coprothere é uma espécie endémica do sudeste Africano. Pode ser encontrada na África do Sul, no Lesoto, no leste e no sudeste do Botsuana e a sul de Moçambique e Angola. Na República Democrática do Congo e na Zâmbia, há um número reduzido de individuos. Infelizmente, esta espécies já se encontra extinta na Namíbia e na Suazilândia.

 

Reprodução

Esta espécie não aparenta ter uma estação de reprodução definida, mas normalmente esta ocorre entre Março e Janeiro. Os ninhos são normalmente construidos nos limites das falésias e em comunidades constituídas pelo menos por 6 casais. O ninho destas aves poderá ser construído com qualquer material, desde de materia vegetativa até apenas alguns ramos de árvore.

 

A fêmea põe um ovo por cada gestação, esse ovo é incubado por ambos os progenitores durante um período de 57 dias. O período de crescimento até jovens adultos pode variar de 125 a 171 dias. O jovem adulto é dependente de ambos os progenitores até 221 dias , visto que precisa de ser alimentado. Os jovens normalmente formam grupos para se alimentarem, afastando-se assim do ninho, promovendo desta forma uma interação entre diferentes populações.

Habitat e Ecologia

O abutre do cabo é um necrófago que se alimenta principalmente de carcaças grandes. Esta espécie voa longas distâncias sobre o céu aberto. Embora normalmente viva em prados, savanas e florestas, na maioria dos dias esta espécie pode ser encontrada perto de terreno ingremes, onde normalmente constroem os seus ninhos.

 

O Abutre do cabo é uma ave gregária, social e que normalmente vive e se alimenta em grandes grupos. Perto das carcaças, há sempre um grande grupo que disputa a carcaça. Devido a este comportamento, existem por vezes disputas agressivas entre os individuos. Muitas vezes, para se conseguirem alimentar alguns dos indivíduos colocam toda a cabeça e o pescoço sob a pele do animal morto ou sobem para o corpo inerte.

 

Ameaças

  • Afogamento em reservatórios (especialmente nas partes mais áridas)
  • Electrocussão (estruturas ou linhas eléctricas)
  • Envenenamento pela alimentação
  • A ação humana reduz a quantidade de alimento
  • As aves são presas e envenenadas
  • Tiroteios
  • Distúrbios humanos em locais de nidificação
  • Aumento da taxa de mortalidade de aves jovens (anormalidades ósseas devidas a deficiência de cálcio)
  • Risco de colisão em parques eólicos

Conservação

  • Muitos dos indivíduos têm como habitat áreas protegidas
  • Os sítios de reprodução devem ser protegidos contra a actividade humana
  • Estruturas simples ser contruidas em reservatórios para evitar o afogamento acidental das aves
  • Está a ser produzido um plano de acção multi-espécies para abutres africanos-euroasiáticos
  • Organizações não governamentais conseguiram sensibilizar as comunidades agrícolas (África do Sul)
  • Alguns pilares foram substituídos para um design que reduz o risco de electrocussão destas aves
  • Foram estabelecidas áreas de alimentação, onde são fornecidos alimentos e flocos de ossos (restaurantes para abutres)

 

Curiosidade

  • As populações estão em declínio
  • Esta espécie tem uma voz alta, usada numa variedade de assobios, grunhidos e cacarejos de forma a comunicar com os outros individuos da colónia
  • O Grupo Bioinsight já desenvolveu muitos estudos de impacto em parques eólicos na África do Sul, e sempre teve em conta o estado de perigo desta espécie e de todas as outras
  • Cientistas prevêem que as mudanças climáticas (aumento das temperaturas) podem afetar negativamente os abutres do Cabo
  • Os parques eólicos comprometeram-se a implementar medidas de mitigação, removendo quaisquer carcaças de animais que sejam encontradas na área
  • Os Abutres limpam a paisagem, ajudando a prevenir a propagação da doença

 

Fontes:

http://www.sa-venues.com/wildlife/birds_cape_griffon.htm

http://www.capenature.co.za/fauna-and-flora/cape-vulture/

http://datazone.birdlife.org/species/factsheet/22695225

http://www.arkive.org/cape-vulture/gyps-coprotheres/

http://www.iucnredlist.org/details/22695225/0

 

Imagens:

http://2.bp.blogspot.com/-Vfo-g4VN7Nc/VYZ8UZ9fQVI/AAAAAAAAELY/bjdK6K-zHN0/s1600/153.jpg-1%2Bmodified.jpg

http://m0.i.pbase.com/o6/11/627911/1/128975840.ADdAw3uy.witruggier3.jpg

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