Espécie da semana

Aie-aie, o maior primata noturno do mundo

Nome Científico: Daubentonia madagascariensis

Nome Comum: Aie-aie

Classe: Mammalia

Ordem: Primates

Família: Daubentoniidae

Longevidade: cerca de 20 anos em condições ambientais e ecológicas favoráveis

Estatuto de conservação: Ameaçada (EN).

População: Tende a decrescer.


Dieta

Os indivíduos desta espécie inicialmente eram considerados insectívoros devido à importância dos insectos na sua dieta, contudo são omnívoros, alimentando-se de vários tipos de alimentos, principalmente de frutas, néctar, sementes de árvores do género Canarium, fungos e larvas de insectos em troncos mortos ou caídos. A selecção de alimentos varia com o tipo de habitat em que o animal se encontra e a disponibilidade dos mesmos.

Dimensões

Geralmente esta espécie possui um comprimento médio corporal de cerca de 32 cm no caso dos machos e 30,5 cm no caso das fêmeas. A cauda mede cerca de 50 cm e podem pesar em média, 2,5 a 5 kg quando adulto.

Descrição

O aie-aie (Daubentonia madagascariensis) é uma espécie de lémur (espécies da infra-ordem Lemuriformes) endémica da Ilha de Madagáscar, que se caracteriza por ser a espécie maior de primatas nocturnos do mundo. Os indivíduos desta espécie apresentam uma coloração escura, com pêlos mais grossos e pretos e com pontas brancas na parte dorsal e na camada superior, e outros pêlos com coloração branca na parte ventral e na camada mais inferior. Apresentam um rosto com uma coloração pálida e branqueada e orelhas pretas com cerca de 9,6 cm de comprimento. Possuem um anel escuro ao redor dos olhos, e uma membrana interna nos mesmos formando a terceira pálpebra que serve para humedecer os olhos do animal e protegê-los de restos de madeira enquanto entraem larvas da mesma.

Esta espécie caracteriza-se também por apresentar nas suas patas anteriores, um terceiro dígito (médio) fino, alongado e com maior flexibilidade, e um par de incisivos relativamente grandes e com um crescimento contínuo. Estas características são consideradas adaptações que permitem o uso de estratégias de alimentação para obter sementes e larvas de insectos escondidos em cavidades, como, cascas das árvores e talos de bambú.

Habitat

O Aie-aie é uma espécie com uma adaptabilidade a uma variedade de habitats. Esta espécie pode ser encontrada em habitats como florestas primárias chuvosas, florestas decíduas, floresta seca e em florestas de mangais, e constrói o seu ninho nas copas das árvores. Pode ser encontrada também, em áreas cultivadas, não havendo registo da sua ocorrência em desertos espinhosos. Geralmente, a sua presença em vários habitats é determinada em grande parte pela sua fonte de alimento principal, as sementes das árvores do género Canarium. Esta espécie pode viver em diferentes altitudes, desde o nível do mar até próximo dos 1.875 m acima do nível do mar.

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Distribuição 

Daubentonia madagascariensis ocorre exclusivamente em Madagáscar, sendo encontrado especificamente nas florestas tropicais do leste de Madagáscar e na costa oeste de Madagáscar, na Reserva Natural de Memaraha.

Reprodução

Geralmente, indivíduos desta espécie apresentam um comportamento polígamo e agonístico, em que o acasalamento resulta de uma disputa entre machos para acesso às fêmeas. As fêmeas por sua vez são poliândricas e podem acasalar com vários machos no mesmo período reprodutivo. Não parece haver nenhuma época restrita de acasalamento e uma única cria nasce de cada vez. As fêmeas começam o acasalamento aos três ou quatro anos após o nascimento, e existem evidências de que estas têm crias a cada dois a três anos com cerca de 90 g, com um período de gestação que dura em média 166 dias.

As crias permanecem nos ninhos maternos durante o primeiro mês após o nascimento, podendo prolongar até dois meses e começam a afastar-se dos progenitores a partir do terceiro mês.

Ameaças

A principal ameaça desta espécie é a destruição do seu habitat natural que se associa à perda da sua principal fonte de alimento (Canarium sp).

Medidas de conservação

Daubentonia madagascariensis encontra-se listada no anexo I da CITES, e a sua ocorrência é relatada em inúmeras áreas protegidas de Madagáscar. Apesar dessa ocorrência, os registos da sua presença são baseados muitas das vezes em sinais ou rastos criados durante a alimentação. Por isso torna-se difícil determinar o tamanho e a dinâmica populacional desta espécie. Portanto, há necessidade de realização urgente de um censo sistemático para esta espécie importante e emblemática, com o objectivo principal de desenvolver um plano de acção para a conservação desta espécie.

Curiosidades

  • Daubentonia madagascariensis é caçado, em algumas áreas de Madagáscar, para alimento e como um um animal de má sorte.
  • É considerado como praga para certas culturas, como o caso do coco.

 

Fontes

Perry, G. H., Reeves, D., Melsted, P., Ratan, A., Miller, W., Michelini, K., … & Gilad, Y. (2012). A genome sequence resource for the aye-aye (Daubentonia madagascariensis), a nocturnal lemur from Madagascar. Genome biology and evolution4(2), 126-135.

Quinn, A., & Wilson, D. E. (2004). Daubentonia madagascariensis. Mammalian Species, 1-6.

Sefczek, T. M., Farris, Z. J., & Wright, P. C. (2012). Aye-Aye (Daubentonia madagascariensis) feeding strategies at Ranomafana National Park, Madagascar: an indirect sampling method. Folia Primatologica83(1), 1-10.

Picone, B., & Sineo, L. (2012). The phylogenetic position of Daubentonia madagascariensis (Gmelin, 1788; primates, Strepsirhini) as revealed by chromosomal analysis. Caryologia65(3), 223-228.

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