Dia Mundial dos Oceanos

Celebrando o Dia Mundial dos Oceanos: “Nosso Oceanos, Nosso Futuro: por um mar saudável para a geração actual e vindoura”

O Dia Mundial dos Oceanos foi sugerido na Conferência Mundial do Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que decorreu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992. Através da Resolução A/RES/63/111, de 5 de Dezembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu oficialmente o dia 8 de Junho desde 2008 como “Dia Mundial dos Oceanos”. Esta data foi estabelecida com o objectivo de aumentar a consciência mundial em desafios que se deparam nas comunidades internacionais na sua relação com os oceanos.

Para a celebração do Dia Mundial dos Oceanos, este ano a Biodinâmica foi entrevistar pescadores Abdul Zacarias e Latino Antumane, na Cidade de Pemba, abordando questões sobre a qualidade dos oceanos. Fomos também entrevistar Joyce Ambelikola, uma estudante finalista da Faculdade de Ciências Naturais da Universidade Lúrio, que se encontra actualmente a desenvolver um projecto de investigação socioeconómico sobre a pesca de Ouriço-do-mar no Norte de Moçambique.

O planeta Terra apresenta cinco oceanos: Pacífico, Índico, Atlântico, Antárctico e Árctico. Juntos ocupam cerca de 70% do planeta Terra.

Mas como é que as pessoas interpretam a importância destes oceanos?

Os oceanos possuem uma grande importância socioeconómica. Na antiguidade, estes foram usados para navegação e prática de comercio entre continentes. Mas não só. Os oceanos têm sido úteis no processo de exploração de petróleo e gás, pois são nestes meios onde encontramos as reservas destes recursos. Em termos ecológicos, os oceanos servem como reguladores térmicos naturais da Terra e abrigam uma parte considerável da biodiversidade mundial, a qual beneficia também as comunidades locais” disse a Joyce Ambelikola. Abdul Zacarias e Latino Antumane, pescadores locais também entrevistados reconhecem os oceanos como uma fonte que providencia alimento e meios de subsistência para as famílias, através dos recursos pesqueiros.

De acordo com Joyce, actualmente, o estado de saúde dos oceanos não está muito bom, isto devido ao aumento do uso de material plástico (potenciado pelo crescimento populacional) que polui os oceanos. Associado a este problema, as mudanças climáticas e o derrame de combustíveis fósseis, que por vezes ocorrem no processo de exploração dos mesmos, têm contribuído significativamente para a aceleração da degradação dos oceanos.

Já faz muito tempo que se registam mudanças no mar devido à poluição deste ambiente. Por exemplo, há muitos anos atrás vivia numa zona costeira em Nacala, onde havia uma praia por perto, e saí de lá vim viver em Pemba. Quatro anos depois regressei a Nacala. No mesmo sítio a praia estava destruída, pois notava-se uma grande quantidade de plástico no mar e o areal sofreu erosão”, reforçou Joyce.

Além da poluição dos oceanos, ao longo dos anos tem-se registado um aumento do esforço de pesca nos oceanos, o que resulta na redução das capturas e na destruição dos recifes de coral devido o uso de artes de pesca nocivas, como é o caso da rede de arrasto.

De acordo com os entrevistados, as entidades locais responsáveis pela gestão dos oceanos devem reforçar a fiscalização dos oceanos e o cumprimento das leis estabelecidas, assim como sensibilizar as comunidades, desde as crianças nas escolas até aos adultos, de modo a aumentar a consciência sobre a importância dos oceanos e promover o uso sustentável destes.

Em Moçambique, vários estudos e projectos ecológicos e socioeconómicos têm sido desenvolvidos com o objectivo de minimizar os impactos das actividades humanas nos oceanos e mares e promover a sustentabilidade destes ecossistemas. Exemplo disso é o trabalho desenvolvido pela Joyce. Trata-se de um estudo socioeconómico sobe a caracterização da pesca do ouriço-do-mar (Tripneustes gratila) no Norte de Moçambique, que se espera ver concluído brevemente. Este estudo tem como principal objectivo ajudar na redução do esforço pesqueiro, não só do ouriço-do-mar, mas também de outras espécies marinhas, e contribuir assim para o bom funcionamento dos processos ecológicos e para a sustentabilidade dos oceanos.

Pode visualizar aqui o vídeo da entrevista com os pescadores nas praias de Nanhimbe e INOS na Cidade de Pemba.