Aves migratórias

Celebrado no passado 5 de maio de 2017 o Dia Mundial das Aves Migratórias

São aves que estão adaptadas a voos rápidos e longos, que se deslocam milhares de quilómetros, sazonalmente e de forma cíclica e, por vezes, de uma região para outra à procura de melhores habitats e melhores condições ecológicas (clima favorável) para se reproduzirem. As aves migratórias deslocam-se da região de origem, quando as condições são desfavoráveis, para locais onde possam obter uma maior quantidade de alimento e onde o habitat seja mais favorável para uma variedade de processos biológicos, como o crescimento e as mudas das penas.

Normalmente, estas aves regressam aos locais de origem quando se aproximam a época de reprodução, de modo a reiniciarem um novo ciclo. As aves migratórias possuem uma capacidade de adaptar o seu período de procriação de acordo com os padrões climáticos.

Algumas aves migratórias podem realizar voos de resistência superiores a 10.000 km e a altitudes muito altas, é o caso da Limosa lapponica e da Sterna paradisaea. Algumas destas aves migram de um continente para o outro. Por exemplo algumas aves podem começar a sua migração na Europa e acabar na Antártida, passando por África durante esta longa viagem, outras poderão mesmo viajar desde do continente Americano até ao continente Africano.

Estas aves contribuem significativamente para a manutenção dos ecossistemas, uma vez que ajudam no fluxo de recursos, na transferência de biomassa e no transposte de nutrientes. Há algumas espécies que têm uma extrema importância cultural para o ser humano.

Existem cerca de 1451 espécies de aves migratórias descritas em todo o mundo, das quais 522 são aves aquáticas migratórias que percorrem longos itinerários, que ligam a África, a Europa e  a Ásia. Cerca de 91% das espécies migratórias, habitam, em períodos do seu ciclo anual, em áreas inadequadas. As populações de aves migratórias tendem a decrescer, isto por causa dos impactos negativos da destruição de habitats e das alterações climáticas. Devido à subida das temperaturas, as viagens migratórias tornam-se mais longas, o que prejudica as populações. As espécies migratórias muitas vezes dependem de um conjunto de habitats, que se encontram interligados, e que permitem que as aves possam realizar paregem para se alimentar durante a sua jornada.

Em Moçambique são anualmente observadas pelo menos 7 espécies de aves migratórias, nomeadamente: Pelecanus onocrotalus; Pelecanus ruescens; Ciconia episcopus; Anastomus lamelligerus; Ephippiorhynchus senegalensis; Mycteria ibis e Sterna caspia. Normalmente são observadas nas seguintes localizações: o Parque Nacional da Gorongosa, o Arquipélago das Quirimbas, Lago Niassa, Delta do Zambeze, Inhambane, Bazaruto e Reserva de Maputo. Estes locais constituem os principais pontos de chegada de aves migratórias a Moçambique, migrando a partir da Europa e Ásia. Alguns destes locais constituem pontos de escala para aves que migram para África do Sul.

Com o objectivo de consciencializar a população humana sobre a importância da protecção das aves migratórias e dos seus habitats foi definido pelo “Agreement on The Conservation of African-Eurasian Migratory Waterbirds (AEWA)”, e na “Convention on the Conservation of Migratory Species of Wild Animals (CMS)” que o dia 10 de Maio seria então, o Dia Mundial das Aves Migratórias.


Fontes

Runge, C. A., Watson, J. E., Butchart, S. H., Hanson, J. O., Possingham, H. P., & Fuller, R. A. (2015). Protected areas and global conservation of migratory birds. Science350(6265), 1255-1258.

http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2005/11/gorongosa_const.html

http://www.unric.org/pt/actualidade/17069

Coppack, T., & Both, C. (2002). Predicting life-cycle adaptation of migratory birds to global climate change. Ardea90(3), 369-378.

Robinson, S. K., Thompson III, F. R., Donovan, T. M., Whitehead, D. R., &Faaborg, J. (1995). Regional forest fragmentation and the nesting success of migratory birds.

Hoguane, A. M. (2007). Perfil diagnóstico da zona costeira de Moçambique. Revista de gestão costeira integrada7(1), 69-82.

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